Ministros do STF veem voto de Fux na ação da trama golpista como exposição a novas sanções e ataques
Colegas afirmam que posicionamento surpreendeu ao absolver Bolsonaro e condenar Mauro Cid; ministros citam contradições com decisões anteriores
11/09/2025 14:05
Integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliaram que o voto do ministro Luiz Fux na ação da trama golpista “joga os colegas aos leões” e os expõe a mais sanções dos Estados Unidos, além de novos ataques do bolsonarismo.
A interlocutores, ministros disseram que Fux contradisse manifestações que ele próprio proferiu em julgamentos anteriores, especialmente nos casos envolvendo os acusados pelos atos de 8 de janeiro.
Colegas da Primeira Turma relataram incredulidade com o fato de Fux ter votado para condenar o tenente-coronel Mauro Cid por abolição do Estado Democrático de Direito, mas não o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem o delator obedecia. Segundo fontes da Corte, já era esperado que Fux abrisse algum grau de divergência no julgamento, mas a dimensão dessas discordâncias — especialmente em relação a Bolsonaro — acabou causando surpresa.
A expectativa inicial era de que Fux acompanhasse o relator, ministro Alexandre de Moraes, e votasse pela condenação do ex-presidente pela trama golpista, limitando suas oposições à dosimetria da pena.
Na leitura de um ministro, Fux não só votou pela absolvição, como também minimizou as articulações do plano de golpe, chamando-as, por exemplo, de “bravatas”. Para esse colega, isso enfraquece a unidade da Corte na resposta contra os ataques.
Enquanto bolsonaristas espalharam nas redes sociais a mensagem de que Fux “honra a toga”, um colega disse que o ministro, na verdade, “honra a manutenção do visto” para os Estados Unidos, já que escapou da sanção de Donald Trump.
Um magistrado citou que, conhecendo agora o conteúdo do voto, foi possível compreender o motivo pelo qual Fux disse, na terça-feira 9, que não aceitaria ser interrompido: evitar ser rebatido ou confrontado.
O único “lado bom” da divergência de Fux, prosseguiu essa fonte, é afastar a constante alegação dos apoiadores de Bolsonaro de que a análise da ação penal na Primeira Turma seria “um julgamento de cartas marcadas”.
Outro integrante da Corte disse reservadamente à CNN que a divergência de Fux “faz parte do jogo” de qualquer colegiado — e que todos os ministros têm direito de mudar de posição ao longo do exercício do cargo.
*Com informações da CNN
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