Governo Lula antecipa liberação de emendas e empenha R$ 540 milhões
Alta nos empenhos no início de 2026 acompanha novo calendário orçamentário e antecipa liberação de recursos antes do período eleitoral
30/03/2026 15:58
| Atualizado há 2 horas atrás
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou a execução de emendas parlamentares no início de 2026 e registrou o maior volume de empenhos para um primeiro trimestre desde o início do mandato. Entre janeiro e março, foram empenhados R$ 539,4 milhões, acima dos R$ 161,3 milhões no mesmo período de 2024 e dos R$ 256,4 milhões em 2023.
A aceleração ocorre após a regularização do calendário orçamentário — no ano passado, o Orçamento só foi aprovado no fim de março — e segue a nova legislação, que determina o empenho de até 65% das emendas ainda no primeiro semestre. A medida tende a concentrar a liberação de recursos antes do período eleitoral.
Nos bastidores, a avaliação é que a antecipação reduz a pressão de parlamentares no segundo semestre, tradicionalmente mais sensível para negociações políticas.
Entre os parlamentares, o deputado Padovani (União-PR) lidera o volume empenhado, com R$ 19 milhões destinados à construção de uma quadra em Cascavel (PR). Em seguida aparece o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), com R$ 18 milhões voltados a municípios mineiros.
Por partidos, o PSD lidera com R$ 74,4 milhões empenhados, seguido pelo União Brasil (R$ 66 milhões), Partido Liberal (R$ 55 milhões) e Partido dos Trabalhadores (R$ 47 milhões). A distribuição acompanha o tamanho das bancadas e a articulação política no Congresso.
As emendas parlamentares seguem como principal instrumento de destinação de recursos a bases eleitorais. Para 2026, o Orçamento prevê cerca de R$ 49,9 bilhões nessa modalidade, sendo R$ 37,8 bilhões de execução obrigatória.
Nos últimos anos, o volume dessas verbas cresceu significativamente, ampliando a influência do Congresso sobre o Orçamento.
Por O Correio de Hoje
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