Produtora de filme sobre Bolsonaro é alvo de operação por suspeita de desvio de verba pública
Polícia Civil apura suspeitas de superfaturamento, pagamentos indevidos e possível uso de recursos de contrato de Wi-Fi para financiar a produção do filme Dark Horse
01/06/2026 11:49
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira 1º uma operação para investigar supostas irregularidades em um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada à produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo as investigações, o contrato previa a instalação e manutenção de pontos de internet Wi-Fi em comunidades da capital paulista. Os policiais apuram indícios de fraude em licitação, superfaturamento, pagamentos antecipados e possível desvio de recursos públicos para a produtora responsável pelo longa-metragem. De acordo com a investigação, o ICB teria sido a única entidade participante do chamamento público, apesar de não possuir experiência comprovada na área de telecomunicações. A polícia também aponta que os valores pagos pela manutenção dos equipamentos seriam significativamente superiores aos praticados no mercado.
Outro ponto investigado é o suposto descumprimento das metas estabelecidas no contrato. Embora o acordo previsse a instalação de 5 mil pontos de acesso à internet, apenas 3,2 mil teriam sido implantados. Os investigadores suspeitam ainda que foram realizados pagamentos referentes a equipamentos que não estavam em funcionamento.
As autoridades apuram se parte dos recursos recebidos pelo instituto foi transferida para a empresa Go Up Entertainment, controlada por Karina Ferreira da Gama, responsável pela produção do filme Dark Horse.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que está colaborando integralmente com as investigações e afirmou que toda a documentação solicitada pelas autoridades já havia sido disponibilizada anteriormente. A administração municipal também declarou que o programa de Wi-Fi segue funcionando normalmente e que o contrato observou os princípios da legalidade, transparência e economicidade.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes ressaltou ainda que o chamamento público ocorreu em 2024, antes mesmo do início da produção do filme, e negou irregularidades nos pagamentos realizados.
O caso segue sob investigação e poderá resultar em novas diligências para apurar o destino dos recursos públicos e a eventual responsabilidade dos envolvidos.
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